Assessoria de imprensa ainda funciona?

Mesmo com redes sociais, inteligência artificial e a possibilidade de qualquer empresa falar diretamente com seu público, a assessoria de imprensa continua entre os serviços mais procurados na comunicação corporativa. Dados da Abracom mostram que ela foi citada por 82,2% das agências no Censo Brasileiro das Agências de Comunicação 2025. O motivo é simples: publicar uma informação é fácil. Transformá-la em notícia relevante exige contexto, estratégia e conhecimento jornalístico.

O trabalho também mudou. Assessoria de imprensa não é mais apenas produzir releases e buscar espaços na mídia. É entender o que interessa ao jornalista, identificar histórias, dados e especialistas que tenham relevância para a sociedade e construir relações profissionais com os veículos. Em um ambiente saturado de informação, ser notícia vale mais do que simplesmente aparecer.

Essa mudança também aproxima assessoria de imprensa, reputação e gestão de crises. Uma empresa que constrói presença na mídia de forma consistente não começa a se apresentar ao público justamente quando surge um problema. Relacionamento com jornalistas, preparação de porta-vozes e posicionamento são construídos antes da crise — e não quando ela já está instalada.

A inteligência artificial tende a acelerar ainda mais a produção de conteúdo, mas não elimina aquilo que está na essência do jornalismo: apuração, contexto, relevância e credibilidade. Talvez esse seja o principal desafio da comunicação corporativa daqui para frente: produzir menos ruído e mais informação que realmente tenha algo a dizer. Porque, no fim, assessoria de imprensa não é sobre aparecer mais. É sobre ter algo relevante para ser ouvido.

Foto de Fabiana Freitas

Fabiana Freitas

Jornalista, mestre e doutoranda em Comunicação, especialista em neuromarketing e agronegócio.

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